sexta-feira, 29 de junho de 2018

OPINIÃO: AS MUDANÇAS ESPERADAS NO MERCADO IMOBILIÁRIO EM UM FUTURO PRÓXIMO


O mundo passa por profundas transformações, e o mercado imobiliário, que está no epicentro das mutações que devem ocorrer nos centros urbanos nos próximos anos, deve se preparar para planejar as mudanças que tornarão os novos produtos adequados à nova ambiência socioeconômica, digital e tecnológica que, de maneira bastante intensa, afetará a forma como as pessoas moram, trabalham, compram e se divertem.

É fato que a população urbana mundial crescerá em torno de 75% até 2050, chegando a aproximadamente seis bilhões de pessoas. Além disso, a estratificação etária mudará de forma considerável e influenciará o perfil de usuários dos produtos imobiliários, que também será alterado.

Segundo a revista The Economist, pela primeira vez na história, o número de pessoas com idade acima de 60 anos deve superar o de pessoas com menos de 15 anos. Esse fato pode introduzir um limitador no preço dos imóveis, gerando um processo de deflação crescente conforme a intensificação desse fenômeno. Isso deve mudar não só a concepção dos produtos para que eles se adaptem a esse novo perfil de usuários, mas levar a estrutura de custos de uma relevante parcela do mercado a se acomodar em um eventual novo patamar de preços.

A sustentabilidade foi absorvida pelo mercado e está incorporada em alguns produtos imobiliários, principalmente nos países mais desenvolvidos. Contudo, a médio e longo prazo, esses conceitos serão incorporados à grande maioria dos produtos. Segundo relatório da PwC, mantidas as características das edificações existentes hoje, e com o crescimento previsto da população urbana, haverá um aumento de 50% no consumo de energia e de 40% no de água potável.

A tecnologia chegou de forma definitiva na vida das pessoas, trazendo alterações nos conceitos fundamentais de planejamento dos produtos imobiliários.

Com a queda de custos para melhorar o desempenho ambiental dos edifícios e em função das inovações tecnológicas, como painéis solares e sistemas de aquecimento mais eficientes, a incorporação desses equipamentos nas edificações será uma exigência do mercado, causando desvalorização naqueles produtos que não incorporarem as novas tecnologias.

Em função desses avanços, a necessidade de espaço físico está diminuindo e se alterando de forma significativa nos diversos setores do mercado imobiliário.

Os espaços em escritórios não estão só diminuindo, mas sendo compartilhados, numa revolução que está no início, mas deve evoluir rapidamente à tendência de substituição da venda de mercadorias pela venda de serviços no mercado imobiliário.

À medida que crescem as compras online, diminuem os espaços para as lojas físicas, e como o tempo de entrega das mercadorias deve ser cada vez menor, aumenta a necessidade de locais de armazenamento mais próximos dos consumidores.

Contudo, segundo os especialistas, embora existam produtos cada vez mais comprados na internet, setores como saúde e beleza serão mais resistentes a esse fenômeno. O segredo, portanto, será combinar o varejo físico e o digital em uma única plataforma. Por exemplo, centros de compras que combinem lojas de demonstração com restaurantes, áreas de entretenimento e vida social.

As mudanças seguramente estão por vir. Empreendedores imobiliários em condições de se anteciparem às tendências emergentes e que puderem se preparar adequadamente para incorporá-las em seus produtos terão muito mais chances de sucesso.

Claudio Bernardes - Engenheiro civil e presidente do Conselho Consultivo do Secovi-SP
Fonte: Folha de S. Paulo

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